15/03/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região
Queira ter a bondade de ler com um pouco de atenção, por gentileza, as frases, meias frases e tentativas de frase feitas abaixo. Sem saber quem disse cada uma delas, você teria todo direito a um chute educado. Numa primeira hipótese, diria que isso só pode ser coisa dita por algum boçal raiz do PT de hoje. Numa segunda possibilidade, que o autor seria um daqueles gorilas tipo débil mental da ditadura militar – para os quais a “IBM”, ou coisa parecida, iria usar o computador eletrônico para reduzir o Brasil à situação de colônia através da tecnologia de vanguarda. Errado e errado.

Quem acaba de dizer isso, perante uma plateia inteirinha de futuros juristas com cara de estarem acreditando no que ouviam é Alexandre de Moraes. Incrível, não? Mas é fato, líquido e certo. Saem o boçal do PT e o gorila da ditadura; em seus lugares entra um ministro do Supremo Tribunal Federal que o Brasil tem hoje. Saem a “IBM” e o seu imperialismo ultrapassado; entram na mira de Moraes a Space X de Elon Musk e as big techs da comunicação com o seu imperialismo da hora
Os militares brasileiros de 1964 tinham certeza de que a tecnologia de ponta dos microchips e dos computadores americanos iria acabar com o Brasil – ficavam especialmente impressionados com o que ouviam falar sobre o “megacomputador”. Sua proposta era destruir as empresas da área, como tinha sido necessário destruir as saúvas – antes que umas e outras destruíssem o Brasil. Sugestão deles para fazer isso: estatizar no ato qualquer computador que passasse na frente de uma farda.
"O resumo do pensamento de Moraes, nisto tudo, é que o Brasil está sobre uma 'ameaça colunista estrangeira', e que a soma de conquista tecnológica e liberdade de expressão são os maiores inimigos da 'democracia' no mundo de hoje e, mais do que tudo, que 'o estado tem de de de intervir'"
Eis aqui, 50 anos depois, o ministro Moraes, hoje nas funções de Lorde Protetor da Democracia e do Brasil – não previstas na Constituição, mas muito existentes na vida cotidiana – tocando de novo na mesma viola, e sendo levado tremendamente a sério por Deus e todo mundo. Infelizmente, a passagem do tempo não diminui o tamanho da estupidez.
um arranque heroico de cachorro atropelado a outro, como diria Nelson Rodrigues, o ministro subiu à posição de Inimigo Público Número 1 da liberdade de expressão no Brasil; e como a cada arranque recebia mais aplausos da esquerda, da mídia e de Janja, foi dobrando a aposta. Hoje, em consequência dessa neura, Moraes está se tornando o Inimigo Público Número 1 da Tecnologia - e das big techs.
Vamos às frases – já está mais do que na hora, não é mesmo? O centro de todo o raciocínio de Moraes – caso se queira considerar isso como um raciocínio –, é que as redes sociais, nas quais o povo manifesta livremente suas opiniões aqui e em todo o mundo democrático, são manipuladas pela tecnologia das big techs com objetivos políticos, econômicos e de monopólio. São manipuladas dessa forma, sobretudo, pelo X de Elon Musk.
Seu plano, segundo Moraes, seria fazer uma lavagem cerebral na população do mundo inteiro, incluindo o Brasil, para acabar com “a democracia” e impor em seu lugar uma ditadura universal da “extrema direita”. Para isso, segundo Moraes, Musk se valeria dos avanços extremos da atual tecnologia de comunicações, a começar pelos que são detidos por sua própria empresa, a Space X.
Por enquanto nós conseguimos manter a nossa soberania. (...) Porque as big techs necessitam das nossas antenas e dos nossos sistemas de telecomunicação. Por enquanto
Não é por outro motivo que uma das redes sociais tem como sócio uma outra empresa chamada Starlink e que pretende colocar satélites de baixa órbita no mundo todo para não precisar das antenas de nenhum país. No Brasil hoje só tem (sic) 200.000 pontos. A previsão é chegar em (sic)30 milhões de pontos, no Brasil. E aí não adianta cortar antena
O ministro Moraes diz que Elon Musk, entre outras coisas, vai usar o Starlink para suprimir a soberania do Brasil para, então, impor aqui o seu regime ditatorial particular – ou em parceria com as big techs, não ficando claro em nenhum caso porque, no fim das contas, ele e elas querem suprimir a soberania do Brasil. Não faz nexo, mas e daí? A plateia não quer pensar; só quer acreditar e, para quem está decidido a acreditar qualquer coisa serve
O resumo do pensamento de Moraes, nisso tudo, é que o Brasil está sob uma “ameaça colonialista estrangeira”, que a soma de conquista tecnológica e liberdade de expressão são os maiores inimigos da “democracia” no mundo de hoje e, mais do que tudo, que “o Estado” tem de “intervir” – agora não só mais no conteúdo das redes, mas também nos aparelhos de tecnologia que o cidadão pode ter e operar. É a criminalização das antenas.
Tudo se concentra, no fundo, nas palavras mais indignadas que Moraes disse em toda essa sua babilônia. “Aí não adianta cortar”, alarma-se ele. É esse o Brasil de Moraes, do STF, de Lula e dos seus subúrbios. Ou a gente pode “cortar” – ou não interessa

1 Comentários
Esse Moraes é um psicopata, está inconformado porque não pôde fazer o que quer, daí inventa essas paranóias para os que dão ouvido e apoia suas aberrações. Dá uma de vítima, se dizendo ser o paladino da democracia para ganhar apoio da massa ignota que não entende nada de tirania. Enquanto isso persegue e pune aqueles que não apoiam suas ações nazifascistas.
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