07/09/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região
Redação: AURI RODRIGUES
Hoje, 7 de setembro, o Brasil celebra mais um aniversário de sua independência. Mas fica a pergunta: comemorar o quê? Qual independência, afinal, o povo brasileiro pode celebrar em um país onde milhões de cidadãos se sentem impedidos de falar, de questionar e de exercer plenamente sua liberdade de expressão?
Vivemos tempos estranhos. Questionar urnas, ministros ou decisões do Supremo Tribunal Federal passou a ser tratado como um ato antidemocrático. Mas desde quando democracia significa silêncio e obediência cega? Democracia é debate, é confronto de ideias, é crítica respeitosa e vigilância constante sobre aqueles que exercem poder. Se até mesmo o governo, o Congresso e o Judiciário não podem ser questionados, então já não estamos mais falando de democracia, mas de um sistema onde uns poucos decidem o que pode ou não ser dito.

O paradoxo é evidente: quem desvia milhões do erário público pode concorrer a cargos, fazer campanha, ocupar espaço político. Mas quem ousa questionar o discurso oficial é rapidamente tachado de inimigo da democracia. Onde está a coerência? Onde está a justiça?
A democracia brasileira parece ter se tornado relativa. Dependendo de quem fala e do que é dito, o direito à palavra é garantido ou censurado. É nesse contexto que surge a indagação: estamos vivendo uma democracia plena ou uma ditadura disfarçada, conduzida pelo Judiciário?
O próprio presidente Lula, em recente fala, insinuou que a democracia pode ser moldada às circunstâncias. Mas democracia que se adapta ao gosto dos governantes ou ao humor dos tribunais já não é democracia — é arbitrariedade.
A ministra Cármen Lúcia, em nome do Supremo, já afirmou que “a Constituição não admite retrocessos democráticos”. Mas será que, na prática, não estamos assistindo a um retrocesso silencioso, em que a voz do povo é cada vez mais controlada?
O 7 de setembro deveria ser o dia de reafirmarmos nossa independência como nação soberana. No entanto, a realidade nos obriga a perguntar: independência de quem? Do poder estrangeiro ou da nossa própria elite política e judiciária?
O Brasil precisa acordar. A democracia não pode ser seletiva, não pode ser relativa, não pode ser refém de conveniências. Uma nação só é livre de fato quando todos os cidadãos têm o direito de se expressar — inclusive de questionar os poderosos.
Acorda, Brasil! O verdadeiro grito de independência ainda precisa ecoar.
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