Sábado , 13 Jun de 2026

Justiça da Espanha Rejeita Extradição do Jornalista Oswaldo Eustáquio por Motivações Políticas

Audiência Nacional entende que extradição colocaria em risco os direitos fundamentais do jornalista brasileiro, acusado de envolvimento em atos antidemocráticos no Brasil

15/04/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região

Justiça da Espanha Rejeita Extradição do Jornalista Oswaldo Eustáquio por Motivações Políticas

Oswaldo Eustáquio – Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 Por: AURI RODRIGUES 

A Justiça da Espanha rejeitou oficialmente o pedido de extradição do jornalista brasileiro Oswaldo Eustáquio, considerado foragido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde dezembro de 2022. A decisão foi proferida pela Audiência Nacional, instância judicial espanhola responsável por casos internacionais, que avaliou haver motivações políticas evidentes nas acusações feitas contra Eustáquio pela Justiça brasileira.


A sentença espanhola afirma que os crimes imputados ao jornalista — como a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e a participação em uma suposta campanha de intimidação contra autoridades — têm forte vínculo com sua atuação política e ideológica. Eustáquio é conhecido por seu apoio declarado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por críticas ao governo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


De acordo com os juízes espanhóis, o processo judicial brasileiro contra Eustáquio está inserido em um contexto de perseguição política a apoiadores de Bolsonaro. “Se trata de crimes, se não políticos, legalmente definidos como tal... condutas que possuem finalidade essencialmente política”, afirma o documento judicial. O Ministério Público da Espanha havia se manifestado anteriormente contra a extradição, reforçando que Eustáquio e sua família estariam sendo vítimas de perseguição política e poderiam ser submetidos a maus-tratos caso retornassem ao Brasil.


Durante a audiência de extradição, Eustáquio se declarou um perseguido político e argumentou que as acusações feitas contra ele no Brasil se referem ao exercício de seu direito à liberdade de expressão — um direito amplamente protegido pela legislação espanhola. A defesa do jornalista também solicitou asilo político na Espanha, reforçando o temor de perseguição caso fosse entregue às autoridades brasileiras.


O STF determinou a prisão de Eustáquio ainda em 2022, no contexto das investigações sobre as chamadas "milícias digitais", conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes. O jornalista é um dos principais réus desse inquérito, que apura a disseminação de notícias falsas, ataques às instituições democráticas e organização de atos antidemocráticos. Há também suspeitas de sua participação em campanhas de intimidação contra policiais federais e de divulgação de dados pessoais de figuras públicas.


A Justiça espanhola destacou ainda que a concessão da extradição poderia colocar Eustáquio em “alto risco”, agravando sua situação em razão de suas opiniões políticas. Fatores como o contexto de polarização política no Brasil, suas múltiplas prisões anteriores, denúncias de maus-tratos e sua condição de jornalista foram considerados relevantes para a negativa da extradição.


Na última semana, o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil solicitou que o governo espanhol impusesse sigilo ao processo de extradição, medida que não impediu o indeferimento do pedido pelas autoridades judiciais da Espanha.


A decisão representa uma derrota para o governo brasileiro e reforça o entendimento internacional sobre a politização de certos processos judiciais no país. O caso de Oswaldo Eustáquio deve agora seguir em instâncias diplomáticas e migratórias, enquanto seu pedido de asilo é analisado pelo governo espanhol.

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