13/04/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região
Foto/divulgação
Brasília, 13 de abril de 2025 — O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 70 anos, passou por uma laparotomia exploradora neste domingo para tratar uma obstrução intestinal e reconstruir a parede abdominal, no Hospital Rio Grande, em Natal (RN). Segundo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o estado de saúde do marido é "estável" e os "marcadores estão normais".

A cirurgia, que teve início por volta das 10h20,
estava inicialmente prevista para durar seis horas, mas, conforme
atualização feita por Michelle às 17h55, o procedimento ainda seguia em curso e
poderia se estender até as 20h.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião Cláudio
Birolini, referência em cirurgias abdominais complexas, e é mais uma das
intervenções médicas decorrentes do atentado à faca sofrido por Bolsonaro em 2018,
durante a campanha presidencial.
ENTENDA A CIRURGIA
De acordo com o gastroenterologista Bernardo Martins,
do Hospital Santa Lúcia Norte, a obstrução intestinal pode ocorrer em qualquer
parte do intestino, do delgado ao grosso, e costuma provocar sintomas severos,
como dores abdominais intensas, náuseas, vômitos e distensão
abdominal.
A laparotomia exploradora é um procedimento cirúrgico em que
se abre a cavidade abdominal para examinar diretamente os órgãos internos.
Segundo Martins, o objetivo é identificar e corrigir anomalias que não são
claramente detectadas por exames de imagem.
“Às vezes não fica claro o que vai ser encontrado. O
procedimento tenta resolver as anomalias abdominais que forem identificadas”,
explicou o médico.
Riscos e histórico cirúrgico
O quadro do ex-presidente é considerado delicado em
razão do número elevado de intervenções anteriores. “Cada nova cirurgia gera
uma resposta inflamatória mais intensa, o que favorece o surgimento de aderências,
dificultando o funcionamento do intestino e tornando o caso mais complexo”,
afirmou o cirurgião digestivo João Paulo Carvalho, do Hospital Alemão
Oswaldo Cruz.
O médico também alertou para o risco de complicações, como desidratação,
distúrbios hidroeletrolíticos, perfuração intestinal e até infecção
intra-abdominal, além do enfraquecimento da parede abdominal, o que eleva a
chance de desenvolver hérnias incisionais.
Décima cirurgia desde o atentado
Esta é a décima cirurgia realizada por Bolsonaro
desde o atentado que sofreu em 6 de setembro de 2018, quando foi
esfaqueado durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Desse total, seis
procedimentos estão diretamente ligados ao trauma abdominal causado pela
facada.
Em julho de 2021, o ex-presidente já havia sido internado
com quadro de suboclusão intestinal — uma obstrução parcial do
intestino, que causa sintomas semelhantes à oclusão completa, embora com menor
gravidade.
Compromissos suspensos no Nordeste
Bolsonaro desembarcou no Rio Grande do Norte na
quinta-feira (10) para cumprir agenda partidária vinculada ao projeto Rota
22, que visa ampliar a presença do PL e fortalecer a oposição no Nordeste.
Participaria de eventos nas cidades de Acari, Oiticica e Pau
dos Ferros, mas passou mal ainda em Tangará, o que forçou a
suspensão da agenda.
Após ser atendido no pronto-socorro de Santa Cruz, foi
transferido de helicóptero para Natal, onde foi internado no Hospital Rio
Grande, às 11h15 de sexta-feira.
O caso Adélio Bispo
O autor do atentado de 2018, Adélio Bispo de Oliveira,
foi considerado inimputável por problemas psiquiátricos e absolvido em
junho de 2019. Atualmente, cumpre medida de segurança em unidade hospitalar em Minas
Gerais, após determinação do TRF-5. Em 2024, a Polícia Federal
concluiu mais uma vez que Adélio agiu sozinho, sem mandantes, encerrando
o terceiro inquérito sobre o caso.
Atualizações sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro
devem ser divulgadas nas próximas horas.
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