12/04/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região
Foto: Polícia Civil do Rio de janeiro
Por: AURI RODRIGUES
As duas maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), firmaram uma nova aliança estratégica voltada para a lavagem de dinheiro e a compra de armamentos e entorpecentes. A confirmação da parceria veio à tona após uma megaoperação deflagrada nesta semana pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio da corporação paulista, que revelou detalhes inéditos sobre a movimentação bilionária entre os grupos.
A suspeita da aliança começou no fim do ano passado, quando um dos envolvidos no assassinato de Vinicius Gritzbach, delator do PCC, fugiu de São Paulo para uma área dominada pelo CV no Rio de Janeiro. O que era apenas especulação foi confirmado por um documento assinado por líderes das duas organizações em 25 de fevereiro deste ano, que já circula entre faccionados em todo o país. No texto, os grupos afirmam estar “refazendo uma nova aliança pelo bem comum” e destacam que “toda guerra tem início, meio e fim”.
Segundo a Polícia Federal, PCC e CV alternam entre rivalidade e cooperação ao longo das décadas, dependendo dos interesses estratégicos em jogo. “Em alguns períodos são completamente rivais e declaram guerra uns contra os outros, e em outros se unem em ações pontuais e por temas de consenso, mas sem um interferir nos negócios do outro”, explicou o delegado federal Marco Smith, especialista em organizações criminosas.
A investigação da operação mais recente revelou que, em apenas um ano, as facções lavaram cerca de R$ 6 bilhões oriundos do tráfico de drogas, armas, roubos e outros crimes. O esquema envolvia ao menos 22 empresas de fachada, muitas delas operadas por pessoas que recebiam auxílios do governo federal, mas movimentavam cifras milionárias. Além disso, parte do dinheiro foi gerenciado por um banco digital fundado pelo PCC há cerca de cinco anos, também sob investigação.
A ação da polícia representou um marco: foi a maior já realizada pela corporação fluminense em termos de ativos bloqueados do crime organizado. De acordo com o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, a aliança entre as facções não inclui disputa por territórios ou mercados no tráfico. “O PCC não pretende atuar nas comunidades do Rio de Janeiro. A aliança é puramente estratégica, voltada para a compra de armamentos e entorpecentes”, afirmou.
Na nova fase das investigações, os dados fiscais e bancários apreendidos serão cruzados para identificar a origem e a destinação dos valores bloqueados, assim como a participação de cada facção nos recursos. A força-tarefa busca aprofundar o rastreamento das conexões financeiras entre o crime organizado e empresas aparentemente legais, que atuam como disfarce para operações ilegais em todo o país.
A cooperação entre PCC e CV lança um novo alerta para as autoridades: mesmo rivais históricos podem se unir diante de interesses econômicos maiores, ampliando o poder e a sofisticação das atividades criminosas no Brasil.
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