07/04/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região
A manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu aproximadamente 59.900 apoiadores neste domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo, durante o pico de concentração. O evento teve como principal pauta a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro de 2023, data marcada pela invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
O cálculo de público foi feito pelo Poder360, com uso de imagens aéreas de alta resolução registradas por drones no momento em que Bolsonaro discursava – entre 16h03 e 16h09. A estimativa considerou a densidade do público por metro quadrado, a partir da análise do espaço ocupado, esquadrinhado no Google Earth. As áreas foram classificadas conforme cinco níveis de densidade (de 1 a 5 pessoas por m²), chegando à estimativa final.
Durante seu discurso de pouco mais de 26 minutos, Bolsonaro reafirmou sua defesa pela anistia e buscou mobilizar sua base. Mesmo inelegível e réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe, ele não deu sinais de que abrirá mão de seu protagonismo político. Segundo pesquisas recentes, 67% dos brasileiros acham que ele deveria desistir de disputar as eleições de 2026.
Governadores marcam presença
O ato contou com a presença de sete governadores de estado, todos alinhados à direita: Wilson Lima (AM), Ronaldo Caiado (GO), Mauro Mendes (MT), Romeu Zema (MG), Ratinho Júnior (PR), Tarcísio de Freitas (SP) e Jorginho Mello (SC). Quatro deles – Caiado, Zema, Tarcísio e Ratinho Jr. – compartilharam juntos a mensagem “Unidos pela anistia” em suas redes sociais. Os nomes são vistos como potenciais candidatos da direita ao Palácio do Planalto em 2026.
A presença de antigos desafetos de Bolsonaro, como Caiado e o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), chamou atenção e indicou uma possível reaproximação dentro do campo da direita.
Já Pablo Marçal (PRTB), influenciador digital e candidato à prefeitura de São Paulo em 2024, não compareceu. Ele publicou vídeos no Lago Paranoá, em Brasília, e participou de um evento em Alphaville no dia da manifestação.
Batom como símbolo
A anistia ganhou um símbolo curioso nos últimos dias: o batom. A ideia surgiu após a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos usar o item para pichar a frase “perdeu, mané” na estátua do STF. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que também discursou no ato, convocou os apoiadores a levarem batons para a manifestação. Um batom inflável com os dizeres “anistia já” também foi exibido entre o público.
Pressão na Câmara
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o pastor Silas Malafaia, organizador do ato, criticaram publicamente o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que resiste em pautar o requerimento de urgência do projeto de anistia. Sóstenes anunciou uma nova estratégia: coletar assinaturas de 257 deputados para que a proposta entre automaticamente na pauta. Segundo ele, já há 165 parlamentares comprometidos com o texto.
A movimentação reforça a ofensiva da base bolsonarista dentro e fora do Congresso, enquanto o tema da anistia se torna um dos principais e mais polarizadores do debate político em 2025.
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.