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QUANDO A EMENDA VIRA BILHETE DE FAMÍLIA

A maior emenda Pix da Câmara em 2026 vai parar justamente na cidade do marido da deputada e isso, convenhamos, parece menos política pública e mais política de sobrenome.

Conecta Parauapebas e Região | 12/07/2026

QUANDO A EMENDA VIRA BILHETE DE FAMÍLIA
A destinação de R$ 18,8 milhões por Alessandra Haber para Ananindeua tem tudo para entrar no manual da velha política com capa nova. Não é só o valor que chama atenção: é o destino, é o parentesco, é o momento, é o contexto. Tudo junto. E, quando tudo converge com tanta conveniência, a desculpa da coincidência começa a soar como deboche. A pergunta que fica é simples: por que exatamente Ananindeua? Não falta cidade no Pará com necessidade, carência e problemas urbanos. Mas a maior emenda individual da Câmara em 2026 foi justamente destinada ao município ligado ao marido da deputada, Daniel Santos, ex-prefeito e liderança do mesmo grupo político.

O mais incômodo é que esse tipo de movimentação sempre vem acompanhado de linguagem técnica, como se bastasse citar "pavimentação urbana" para afastar qualquer questionamento político. Não afasta. Dinheiro público não deixa de levantar dúvidas apenas porque vem com um carimbo administrativo. Quando a escolha recai sobre a cidade da própria família política, é natural que a sociedade questione os critérios adotados.
A situação ganha ainda mais repercussão porque Ananindeua permaneceu sob a influência do mesmo grupo político após a saída de Daniel Santos da prefeitura para disputar outro cargo. A mudança de ocupante no cargo não altera, por si só, a percepção de continuidade política quando o mesmo grupo permanece no comando da administração.

As chamadas emendas Pix, por sua natureza, exigem elevado grau de transparência. Por isso, surgem questionamentos sobre quais critérios orientaram a escolha do município, o valor destinado e a prioridade dada a esse investimento em comparação com outras cidades do estado. O episódio reforça o debate sobre transparência, impessoalidade e critérios na distribuição de recursos públicos.

 Quando uma das maiores transferências individuais do ano beneficia o município administrado pelo grupo político ligado à família da própria parlamentar, é esperado que haja fiscalização, cobrança de explicações e amplo debate público sobre a destinação desses recursos.