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NOVA DENÚNCIA APONTA R$ 28,57 MILHÕES EM DESAPROPRIAÇÕES E COLOCA NOMES LIGADOS A DANIEL SANTOS NO CENTRO DA APURAÇÃO

O jornalista investigativo Adriano Wilkinson divulgou uma nova reportagem sobre atos administrativos realizados durante a gestão do ex-prefeito de Ananindeua Daniel Barbosa Santos (Podemos), hoje candidato ao Governo do Pará.

Conecta Parauapebas e Região | 01/10/2026

NOVA DENÚNCIA APONTA R$ 28,57 MILHÕES EM DESAPROPRIAÇÕES E COLOCA NOMES LIGADOS A DANIEL SANTOS NO CENTRO DA APURAÇÃO
Em vídeo publicado nas redes sociais, Wilkinson afirma ter analisado decretos municipais, documentos empresariais e registros funcionais que, segundo sua apuração, relacionariam pelo menos R$ 28,57 milhões pagos em processos de desapropriação ao empresário Alexandre José da Silva Souza, conhecido como “Karanga”.

A reportagem também aborda a relação de Karanga com Alexandre César Santos Gomes, ex-secretário municipal, atual vereador e candidato a deputado estadual pelo Podemos.

Segundo documentos oficiais apresentados pelo jornalista, Gomes e Karanga tiveram vínculo funcional dentro da estrutura administrativa de Ananindeua. Em julho de 2013, por exemplo, publicação no Diário Oficial do município registra Alexandre José da Silva Souza, matrícula nº 27004, como servidor lotado na então Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Juventude (Secelj).

Na mesma época, Alexandre César Santos Gomes ocupava o cargo de secretário da pasta.

Um dos casos apresentados por Wilkinson envolve um terreno localizado no bairro Icuí-Guajará.

No vídeo, o jornalista mostra um documento no qual o imóvel é declarado de utilidade pública para fins de desapropriação, com a justificativa de que a área seria destinada à construção de uma escola pública municipal.

Na sequência, Wilkinson apresenta um registro de pagamento que, segundo ele, corresponde a R$ 3,2 milhões relacionados à desapropriação.

O jornalista atribui a propriedade do imóvel a Alexandre José da Silva Souza e afirma que esse seria apenas um dos casos identificados durante o levantamento.

A partir de outros documentos exibidos na reportagem, Wilkinson calcula que os valores de desapropriações que ele associa a Karanga alcançariam R$ 28.570.000.

“Na reportagem de hoje, eu trago documentos que mostram como Daniel Santos assinou decretos que entregaram ao menos R$ 28 milhões ao amigo de um aliado dele”, afirma Wilkinson no vídeo.

Em outro trecho, o jornalista sustenta que Alexandre Gomes teria sido, durante anos, superior hierárquico de Karanga dentro da administração municipal.

A relação administrativa entre os dois não é apresentada apenas como uma afirmação do jornalista. Documentos oficiais citados na reportagem registram Alexandre José da Silva Souza como servidor da Secelj em 2013, inclusive com atribuições relacionadas ao acompanhamento e à fiscalização de contrato administrativo.

Naquele período, Alexandre César Santos Gomes era o titular da secretaria.

Posteriormente, durante a administração Daniel Santos, Gomes passou a ocupar outro cargo de destaque na Prefeitura. Decreto municipal publicado em janeiro de 2023 registra sua nomeação como secretário municipal de Habitação.

A atuação de Gomes na área também aparece em publicações institucionais da Prefeitura de Ananindeua relacionadas a programas habitacionais e processos de regularização fundiária.

A linha central apresentada por Wilkinson é a existência de uma conexão entre três personagens: Daniel Santos, responsável pela assinatura de atos administrativos durante sua passagem pela Prefeitura; Alexandre César Santos Gomes, que ocupou cargos de primeiro escalão no município; e Alexandre José da Silva Souza, o Karanga, identificado em documentos públicos como servidor municipal e apontado pelo jornalista como beneficiário das desapropriações investigadas.

A reportagem, entretanto, apresenta esses elementos como parte de uma apuração jornalística. A existência dos pagamentos, dos decretos e dos vínculos funcionais não estabelece, por si só, eventual irregularidade ou responsabilidade criminal dos envolvidos.

O ponto que permanece no centro da denúncia é justamente a necessidade de esclarecer a origem, a finalidade, os critérios de avaliação dos imóveis e a destinação dos recursos públicos envolvidos nas desapropriações mencionadas.

Wilkinson afirma que continuará apresentando documentos sobre as operações e questiona se recursos que deveriam atender a políticas públicas, incluindo a construção de equipamentos educacionais, acabaram beneficiando particulares ligados ao círculo político e administrativo da gestão anterior.