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Encontro entre Lula e Trump na Malásia não gera avanços concretos e mantém impasse sobre tarifas e sanções

Apesar do tom amistoso e das declarações de “diálogo aberto”, reunião entre líderes terminou sem resultados práticos. Estados Unidos mantêm sanções e condicionam revisão do “tarifaço” ao fim da perseguição judicial a Bolsonaro e à direita brasileira.

28/10/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região

Encontro entre Lula e Trump na Malásia não gera avanços concretos e mantém impasse sobre tarifas e sanções

Após uma reunião privada de 45 minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada na Malásia, o clima de otimismo tomou conta de aliados do governo brasileiro. Parlamentares petistas comemoraram o encontro como uma vitória diplomática, afirmando que a “química” entre os dois líderes marcaria o início de uma nova fase nas relações bilaterais.


O senador Humberto Costa (PT-ES) chegou a declarar que “a química só aumenta”, enquanto Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou, em tom bem-humorado, que “nem a inteligência artificial poderia prever Lula e Trump lado a lado”. Já o presidente do PT, Edinho Silva, que no passado havia classificado Trump como “o maior fascista do século XXI”, celebrou o gesto afirmando que “o diálogo é sempre o caminho”.


Entretanto, por trás do entusiasmo, o resultado prático da reunião foi limitado. O encontro produziu apenas o agendamento de novas conversas bilaterais — sem qualquer recuo por parte dos Estados Unidos nas sanções e tarifas aplicadas ao Brasil.


Na oposição, o tom foi de ironia. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) questionou os reais motivos da reunião, insinuando que Lula tentou desviar a pauta de temas sensíveis, como o caso do ex-presidente. “Imagine o que foi tratado a portas fechadas?”, provocou. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti, afirmou que o governo colhe agora os frutos da “falta de humildade” de Lula ao lidar com o chamado tarifaço.


De acordo com analistas, a postura de Trump reflete um cálculo geopolítico. Para o professor Daniel Vargas, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o líder americano evita o “cancelamento” e mantém diálogo mesmo com governos ideologicamente opostos. “Trump sabe que precisa do Brasil como potência regional, especialmente diante das tensões com Venezuela e China”, explicou.


Vargas também destacou que o deslocamento de forças militares norte-americanas para o Caribe indica um movimento mais amplo de pressão na América Latina. “Trump busca afastar o Brasil da influência chinesa e venezuelana. Manter o canal de diálogo aberto é estratégico”, afirmou.


Antes do encontro, Trump havia declarado que poderia rever as tarifas se houvesse mudanças na condução judicial dos casos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O republicano voltou a elogiar Bolsonaro publicamente e reiterou o incômodo com as “penas injustas” aplicadas ao ex-líder brasileiro — gesto que irritou Lula durante entrevista coletiva.


O secretário de Estado, Marco Rubio, ficou encarregado de aprofundar as tratativas com a comitiva brasileira. Em declaração à imprensa, Rubio destacou a importância da parceria com o Brasil, mas reafirmou as condições impostas: “Temos problemas sérios com a forma como o sistema judicial brasileiro tem tratado o setor digital e cidadãos americanos em redes sociais.”


Para o economista José Pio Martins, o posicionamento dos EUA vai além da economia. “A preocupação de Trump é com a atuação política da Suprema Corte brasileira, que se assemelha a experiências autoritárias na Venezuela. Isso é perigoso para os interesses americanos na região”, avaliou.


Apesar das tentativas diplomáticas, analistas consideram improvável que Washington suspenda as sanções e tarifas — apelidadas de “Tarifa Moraes” — sem que o Brasil avance em compromissos concretos para conter abusos judiciais. “Os EUA não recuarão apenas por boa vontade. Essas medidas são políticas de Estado, e a presença de Marco Rubio reforça que a vertente ideológica continuará pesando nas decisões”, concluiu Daniel Vargas.

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