11/08/2025 | Por: Conecta Parauapebas e Região
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Redação: Auri Rodrigues
Belém (PA) – A primeira Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) realizada no Brasil, marcada para novembro em Belém, vem sendo ofuscada por um escândalo de preços abusivos na hospedagem. Imóveis e hotéis da capital paraense estão anunciando diárias que chegam a mais de R$ 2 milhões pelo período do evento, valores que têm revoltado delegações estrangeiras e até provocado desistências de participação.
O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, cancelou sua vinda ao Pará citando o custo elevado de estadia. Outros 25 países já questionaram formalmente o governo brasileiro sobre a escalada nos preços. Alemanha, Suíça, Indonésia e China também enviaram notificações pedindo explicações. A Suíça chegou a alertar que terá de reduzir o número de representantes, por não conseguir justificar as despesas no Parlamento.
Valores até 15 vezes acima do normal
Em eventos internacionais, é comum tarifas dobrarem ou triplicarem. Mas, segundo levantamento recente, os valores para a COP30 em Belém estão de 10 a 15 vezes maiores que o padrão. Plataformas de aluguel exibem imóveis simples, como um quarto e sala no bairro Batista Campos, por R$ 1,3 milhão para 11 dias — com “desconto” de 20% sobre o preço original. Outro apartamento no bairro de Nazaré aparece por R$ 863,9 mil no mesmo período.
Há também casos de casas por R$ 2,2 milhões e hotéis de três estrelas, com avaliação regular, cobrando R$ 109 mil para menos de duas semanas de hospedagem. Até motéis entraram na onda, com pacotes que ultrapassam R$ 10 mil.
Repercussão e risco para a conferência
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reconhece o problema e admite que países em desenvolvimento correm o risco de não comparecer.
“Com a ausência dos países mais pobres, a conferência perde legitimidade e participação universal”, afirmou.
Apesar da pressão, Corrêa do Lago descarta mudar o evento de cidade. O governo brasileiro tenta conter o impacto com medidas emergenciais, incluindo o lançamento de uma plataforma oficial de reservas com tarifas entre US$ 100 e US$ 600 e a possibilidade de hospedar delegações em navios de cruzeiro atracados na orla, operação que pode custar até R$ 263 milhões aos cofres públicos.
O “jeitinho brasileiro” na mira
A escalada de preços reacendeu críticas ao “jeitinho brasileiro” de aproveitar oportunidades para lucrar ao máximo, mesmo que isso prejudique a imagem do país. Para muitos, o episódio mancha a estreia do Brasil como sede de uma COP e compromete o propósito do encontro, que é debater o futuro climático do planeta com participação ampla e inclusiva.
Enquanto o governo corre contra o tempo, o mundo observa — e Belém arrisca entrar para a história da COP30 não apenas pela localização estratégica na Amazônia, mas também pelos valores exorbitantes que ameaçam esvaziar um evento de importância global.
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